{"id":64,"date":"2018-11-05T14:00:00","date_gmt":"2018-11-05T16:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lucasm.cl\/?p=64"},"modified":"2024-01-08T15:27:36","modified_gmt":"2024-01-08T18:27:36","slug":"a-fenix-e-o-dragao-vermelho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lucasm.cl\/?p=64","title":{"rendered":"A f\u00eanix e o drag\u00e3o vermelho"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Perspectivas para as rela\u00e7\u00f5es entre Brasil, China e Estados Unidos.<\/h4>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p id=\"aac6\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"563\" role=\"presentation\" class=\"bg nd ne c\" src=\"https:\/\/lucasm.cl\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/14mIj3XD1OsULVCOOgETapw.jpg\" alt=\"\"><\/p>\n\n\n\n<p><em>Post originalmente escrito para a <a href=\"https:\/\/medium.com\/vinte-e-um\">Revista Vinte&amp;Um<\/a><\/em><\/p>\n\n\n\n<p id=\"aac6\">Pouco mais de uma semana p\u00f3s-elei\u00e7\u00f5es, n\u00e3o tardou para que a pauta de pol\u00edtica externa brasileira viesse \u00e0 tona. O tema voltou \u00e0s manchetes ap\u00f3s as declara\u00e7\u00f5es do presidente eleito sobre a mudan\u00e7a da embaixada brasileira para Jerusal\u00e9m e em fun\u00e7\u00e3o do editorial dos jornais ligados ao Partido Comunista Chin\u00eas (PCCh). Em seu editorial mais importante, do China Daily, a c\u00fapula do partido comunista deixa claro que \u00e9 vital parceiro comercial brasileiro e, por isso, seria importante que o novo presidente fosse pragm\u00e1tico e deixasse de lado a ret\u00f3rica de que a China \u00e9 um \u2018um predador que busca dominar setores-chave da economia brasileira\u2019. O tom mais agressivo do jornal vem tamb\u00e9m em fun\u00e7\u00e3o da viagem do ent\u00e3o pr\u00e9-candidato com sua comitiva para Taiwan, durante um giro pela \u00c1sia na segunda quinzena de fevereiro.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"3940\">Durante os \u00faltimos vinte anos de pol\u00edtica externa brasileira, o pa\u00eds centrou a coopera\u00e7\u00e3o Sul-Sul como foco do Itamaraty, onde parcerias com pa\u00edses em desenvolvimento eram priorit\u00e1rias, junto com uma agenda de abertura econ\u00f4mica multilateral, ou seja, baseada nos esfor\u00e7os das rodadas da OMC e acordos comerciais com o Mercosul. No crescimento avassalador chin\u00eas durante os anos 2000, n\u00e3o tardou para que o famoso BRICS ca\u00edsse na boca do povo. Nessa mesma \u00e9poca, o Brasil tinha sonhos de integrar a sexta cadeira permanente numa sonhada reforma do Conselho de Seguran\u00e7a da ONU, num del\u00edrio do ent\u00e3o presidente Lula sobre o papel do Brasil na geopol\u00edtica e o peso da nossa economia a n\u00edvel mundial.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"3e4e\">Aos poucos, especialmente com o estopim da Opera\u00e7\u00e3o Lava jato, notava-se um vi\u00e9s pol\u00edtico-partid\u00e1rio, muitas vezes corrupto, no relacionamento com o sul-global, e tampouco a economia brasileira saiu do seu vi\u00e9s protecionista e demasiadamente fechado: viveu da venda de commodities ao mesmo tempo que protegia, de forma corporativista, a ineficiente ind\u00fastria nacional. O pior dos dois mundos obrigou o brasileiro a pagar mais caro por produtos de qualidade inferior, alicer\u00e7ado numa alta do pre\u00e7o das commodities. Com o fim do superciclo das commodities e um crescimento cada vez mais p\u00edfio da nossa economia, n\u00e3o tardou para que outras for\u00e7as pol\u00edticas se opusessem a essa pol\u00edtica externa brasileira. Durante a corrida presidencial, parte fundamental da ret\u00f3rica do presidente eleito era relacionada a uma mudan\u00e7a do paradigma do Brasil com seus vizinhos, antes \u2018preteridos por raz\u00f5es ideol\u00f3gicas\u2019, e sobre uma nova \u00eanfase voltada \u2018ao com\u00e9rcio exterior com pa\u00edses que possam gerar valor econ\u00f4mico e tecnol\u00f3gico ao Brasil\u2019, um plano de governo que na sua concep\u00e7\u00e3o chamava-se \u201cProjeto F\u00eanix\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"ab35\">Existem dois prov\u00e9rbios chineses que gostaria de explicar nesse texto, que, na minha vis\u00e3o, podem elucidar o futuro das rela\u00e7\u00f5es Brasil-China. O primeiro tem a ver com o relacionamento Brasil-EUA: \u201c\u4e00\u4e3e\u4e24\u5f97\u201d, \u201cmatar dois p\u00e1ssaros com uma s\u00f3 pedra\u201d, difundido aqui em outra vers\u00e3o. Sem entrar em muitos detalhes, sabemos que h\u00e1 alguns meses os Estados Unidos e a China est\u00e3o em uma escalada de san\u00e7\u00f5es comerciais. O motivo para tal escalada se deve, em \u00faltimo caso, \u00e0s pr\u00e1ticas desleais que a China adota com o resto do mundo, de modo a artificialmente abaixar pre\u00e7os, seja por meio de pol\u00edtica cambial, seja pelo subsidio industrial. Num momento em que a Europa, maior aliado americano, olha de forma at\u00f4nita para os Estados Unidos, \u00e9 importante que Trump veja no Brasil um aliado, at\u00e9 para essa ret\u00f3rica que seus aliados tradicionais rejeitam. O presidente americano j\u00e1 se mostrou capaz de mudar radicalmente sua pol\u00edtica externa em prol de uma agenda demasiadamente presun\u00e7osa e o caso recente da renegocia\u00e7\u00e3o do NAFTA \u00e9 prova, quando o presidente fez quest\u00e3o de renegociar um tratado duradouro, falando da sua injusti\u00e7a econ\u00f4mica com os EUA, apenas para n\u00e3o fazer nenhuma mudan\u00e7a dr\u00e1stica e no fim clamar vit\u00f3ria. O maior alinhamento brasileiro com Trump pode trazer grandes benef\u00edcios do ponto de vista comercial e estrat\u00e9gico, em especial por meio de uma crescente confian\u00e7a do investidor americano e investimentos diretos externos de longo prazo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lucasm.cl\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/1eJq_X1ul3bbPBi7epKh0Bw.jpg\" alt=\"\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Trump e o presidente chin\u00eas Xi Jinping em Mar-a-Lago no dia 6 de abril de 2017. O famoso aperto de m\u00e3o do presidente Trump costuma ficar em evid\u00eancia, sempre simbolizando controle da situa\u00e7\u00e3o\u2014 Jim Watson AFP \/ Getty Images<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p id=\"b0d0\">O segundo prov\u00e9rbio, bem relacionado com o primeiro,faz alus\u00e3o ao t\u00edtulo do texto: \u201c\u5f3a\u9f99\u96be\u538b\u5730\u5934\u86c7\u201d, \u201cAt\u00e9 mesmo um drag\u00e3o luta para controlar uma cobra em seu habitat natural\u201d. Uma caracter\u00edstica curiosa da China \u00e9 o respeito por quem sabe negociar. Acredito que na \u00c1sia toda existe essa cultura de respeito pela for\u00e7a, ainda que essa for\u00e7a seja diplom\u00e1tica e n\u00e3o militar. Ao mostrar uma atitude menos servil diante dos interesses chineses, o Brasil pode, aos poucos, deixar de ser apenas um parceiro comercial para se tornar um aliado importante, em p\u00e9 de igualdade. A nossa caracter\u00edstica \u00fanica de n\u00e3o ter inimigos pol\u00edticos internacionais, que nos permite negociar com o mundo todo sem restri\u00e7\u00f5es, \u00e9 um capital pol\u00edtico que n\u00e3o pode ser desperdi\u00e7ado. A China eventualmente precisar\u00e1 levar parte da sua cadeia de suprimentos para outros pa\u00edses, conforme o sucesso do plano estrat\u00e9gico \u2018Made in China 2025\u2019, que pretende ampliar a participa\u00e7\u00e3o chinesa no mercado de alta-tecnologia e p\u00f4r em cheque a lideran\u00e7a tecnol\u00f3gica americana. Assim, o Brasil tem condi\u00e7\u00f5es de estar inserido tanto na chamada \u2018velha ordem mundial\u2019 quanto em uma \u2018nova ordem\u2019 liderada pela China.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"7db1\">Acredito que o pr\u00f3ximo presidente, retomando um di\u00e1logo s\u00e9rio com a Europa e os Estados Unidos, fortalecendo os la\u00e7os com a China e outros pa\u00edses em desenvolvimento com capacidade de honrar seus pagamentos, pode fazer o Itamaraty ajudar a impulsionar a ind\u00fastria de bens e servi\u00e7os nacional, al\u00e9m dos setores de exporta\u00e7\u00e3o agr\u00edcola tradicionais. Tudo vai depender do rumo que Bolsonaro adotar, n\u00e3o s\u00f3 para nossa pol\u00edtica externa, mas para o pa\u00eds que vai emergir com uma mudan\u00e7a econ\u00f4mica profunda. Ser\u00e1 que a F\u00eanix e o Drag\u00e3o ir\u00e3o eventualmente virar o yin-yang, simbolizando o \u00e1pice da harmonia, conforme a tradi\u00e7\u00e3o do Feng shui?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Perspectivas para as rela\u00e7\u00f5es entre Brasil, China e Estados Unidos. Post originalmente escrito para a Revista Vinte&amp;Um Pouco mais de uma semana p\u00f3s-elei\u00e7\u00f5es, n\u00e3o tardou para que a pauta de pol\u00edtica externa brasileira viesse \u00e0 tona. 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