{"id":28,"date":"2017-06-30T14:00:00","date_gmt":"2017-06-30T17:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lucasm.cl\/?p=28"},"modified":"2024-01-08T15:27:53","modified_gmt":"2024-01-08T18:27:53","slug":"20-anos-de-hong-kong-chinesa-e-licoes-para-a-democracia-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lucasm.cl\/?p=28","title":{"rendered":"20 anos de Hong Kong chinesa e li\u00e7\u00f5es para a democracia brasileira"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Post originalmente escrito para a <a href=\"https:\/\/medium.com\/vinte-e-um\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/medium.com\/vinte-e-um\">Revista Vinte&amp;Um<\/a><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Comemorando 20 anos da devolu\u00e7\u00e3o brit\u00e2nica de Hong Kong \u9999\u6e2f, o presidente da China, Xi Jinping\u4e60\u8fd1\u5e73 est\u00e1 na cidade pela primeira vez desde que assumiu a lideran\u00e7a do pa\u00eds, em 2013.<\/p>\n\n\n\n<p>Aproveito a ocasi\u00e3o para fazer uma breve leitura da hist\u00f3ria pol\u00edtica do local, com um olhar de preocupa\u00e7\u00e3o com o atual cen\u00e1rio pol\u00edtico brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Hong Kong, assim como Qingdao \u9752\u5c9b, Shanghai \u4e0a\u6d77\u5e02, Dalian \u5927\u8fde e v\u00e1rias outras cidades portu\u00e1rias da China, foram concess\u00f5es feitas pelo Imp\u00e9rio Qing \u00e0s pot\u00eancias europeias ainda no s\u00e9c XIX, como parte dos chamados Tratados Desiguais. Ap\u00f3s a Segunda Guerra, apenas as cidades do Cant\u00e3o, Hong Kong e Macau, permaneceram sobre dom\u00ednio europeu.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem participa\u00e7\u00e3o no Conselho de Seguran\u00e7a da ONU at\u00e9 os anos 70, s\u00f3 ent\u00e3o a Rep\u00fablica Popular da China come\u00e7a a agir diplomaticamente para conseguir a devolu\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios. Ap\u00f3s intensas negocia\u00e7\u00f5es com o governo Brit\u00e2nico, a \u00e9poca sob lideran\u00e7a de Thatcher, \u00e9 acordado que, a partir de 1\u00ba de julho de 1997, Hong Kong seria devolvida.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lucasm.cl\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/1HjSocouGNcREYJNrKiNsFQ.jpg\" alt=\"\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Aperto de m\u00e3o entre o prsidente chin\u00eas Jiang Zenmin e o Pr\u00edncipe Charles, na cerim\u00f4nia de devolu\u00e7\u00e3o de Hong Kong. Foto do arquivo do jornal South China Morning&nbsp;Post<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Todas as negocia\u00e7\u00f5es s\u00f3 foram poss\u00edveis pela pol\u00edtica de \u201cUm pa\u00eds, dois sistemas\u201d do premi\u00ea Deng Xiaoping \u9093\u5c0f\u5e73, de forma que Hong Kong manteria todo seu sistema pol\u00edtico-econ\u00f4mico sem interfer\u00eancia do regime chin\u00eas por 50 anos, at\u00e9 2047.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo que o sufr\u00e1gio universal nunca tenha sido garantido aos cidad\u00e3os de Hong Kong sob tutela brit\u00e2nica, em meados dos anos 90, o ent\u00e3o governador do territ\u00f3rio, Chris Patten, tinha planos concretos de uma reforma pol\u00edtica. Logo antes da mudan\u00e7a de soberania, foi reiterado pelo Minist\u00e9rio de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores da China que caso o governo da rec\u00e9m Regi\u00e3o Administrativa Especial assim optasse, n\u00e3o sofreria qualquer interfer\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 claro que esse papo durou pouco. Assim que a cidade passa para soberania chinesa, a elei\u00e7\u00e3o para o Conselho Legislativo (algo como as nossas Assembleias Legislativas) contou com apenas 20 cadeiras abertas para voto popular, das 70 totais. J\u00e1 o Chefe do Executivo passou a ser eleito por um comit\u00ea formado por 400 membros, todos indicados por Pequim. Desse modo, todas as mo\u00e7\u00f5es em favor de uma democracia geral e irrestrita eram barradas.<\/p>\n\n\n\n<p>Para um regime autocr\u00e1tico, apenas esse controle n\u00e3o bastava. Em 2003 \u00e9 apresentado uma nova legisla\u00e7\u00e3o que daria poder ao Executivo para estabelecer novas leis proibindo atos contra o governo central. Nessa ocasi\u00e3o, no 1\u00ba de julho de 2003, meio milh\u00e3o de hong-kongenses v\u00e3o as ruas contra essa proposta. A partir de ent\u00e3o, as marchas pr\u00f3-democracia voltam com for\u00e7a ao cotidiano da regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A m\u00eddia n\u00e3o poderia ficar de fora. Os maiores ve\u00edculos midi\u00e1ticos passaram por uma censura nunca antes vista. Logo ap\u00f3s 1997, a autocensura era por medo de retalia\u00e7\u00f5es por parte da Rep\u00fablica Popular, mas ao longo dos anos, as empresas passaram a ser absorvidas por grupos ligados ao Partido Comunista.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lucasm.cl\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/11M1BKq1V-cjANmmhRaeSQQ.jpg\" alt=\"\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Milhares de estudantes pr\u00f3-democracia participam de manifesta\u00e7\u00e3o em Hong Kong\u200a\u2014\u200a15 de outubro de 2014. Foto por Benjamin Chasteen para o Epoch&nbsp;Times.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Apesar de v\u00e1rias demonstra\u00e7\u00f5es, em especial em 2010 e 2014, pouco mudou na vida pol\u00edtica de Hong Kong desde ent\u00e3o. In\u00fameras propostas de sufr\u00e1gio universal, todas engavetadas no Conselho Legislativo. Partidos pr\u00f3-Pequim prometendo elei\u00e7\u00f5es gerais num futuro pr\u00f3ximo, mas nunca de imediato.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda que o Brasil esteja em uma realidade diferente, acredito que h\u00e1 \u00f3timas li\u00e7\u00f5es para se tirar de toda essa hist\u00f3ria. Principalmente pela democracia fr\u00e1gil que temos em nosso pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira, devemos estar atentos a pol\u00edticos que veem com bons olhos regimes autocr\u00e1ticos e ditatoriais. Faltou a Margaret Thatcher um pouco de desconfian\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o a viabilidade de um leg\u00edtimo respeito a democracia em Hong Kong. Assim, devemos desconfiar de pol\u00edticos, sejam eles de esquerda ou direita, que fazem apologia a movimentos ou pr\u00e1ticas antidemocr\u00e1ticas. Como podemos eleger pessoas que advogam contra o pr\u00f3prio sistema democr\u00e1tico que as elegeu?<\/p>\n\n\n\n<p>A segunda, acredito que seja em rela\u00e7\u00e3o a m\u00eddia. Mesmo que estejamos em um momento de crise com o famoso quarto poder, \u00e9 importante a manuten\u00e7\u00e3o da liberdade de imprensa. Estar atento a poss\u00edveis erros, ter discernimento sobre o vi\u00e9s jornal\u00edstico e criticar quando necess\u00e1rio, tudo isso \u00e9 parte do exerc\u00edcio democr\u00e1tico. Quando partidos come\u00e7am a falar sobre leis de \u2018democratiza\u00e7\u00e3o\u2019 da m\u00eddia e outras formas de coibir o papel dos jornais, devemos estar atentos. N\u00e3o queremos jornalistas se autocensurando por repres\u00e1lia dos governos federais e estaduais.<\/p>\n\n\n\n<p>A terceira e grande li\u00e7\u00e3o que devemos tirar de Hong Kong \u00e9 em rela\u00e7\u00e3o a manifesta\u00e7\u00f5es. Em um momento em que o debate pol\u00edtico nacional encontra-se em profunda polariza\u00e7\u00e3o, \u00e9 cada vez mais dificil saber quem est\u00e1 do lado de propostas que visam uma mudan\u00e7a positiva para o pa\u00eds. Sempre ser\u00e3o bem-vindas propostas que incentivam o debate, mas devemos estar atentos a partidos e pessoas que fazem propostas intelectualmente question\u00e1veis, propondo f\u00f3rmulas m\u00e1gicas e solu\u00e7\u00f5es simples. Assim, ao longo do tempo, poderemos consolidar nossas instui\u00e7\u00f5es e valores, garantido liberdade de opini\u00e3o e estimulando discuss\u00f5es, que h\u00e1 algum tempo parece estar faltando em nosso pa\u00eds.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Post originalmente escrito para a Revista Vinte&amp;Um Comemorando 20 anos da devolu\u00e7\u00e3o brit\u00e2nica de Hong Kong \u9999\u6e2f, o presidente da China, Xi Jinping\u4e60\u8fd1\u5e73 est\u00e1 na cidade pela primeira vez desde que assumiu a lideran\u00e7a do pa\u00eds, em 2013. 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